Visitando estrelas
Tânia Piacentini
São dez histórias que encantam pela liberdade da imaginação: tudo acontece, tudo é possível, a lógica do faz-de-conta prevalece naturalmente, sem precisar lançar mão de nenhum recurso mágico. Ou seja, crianças querem visitar a estrela dos anjos? Basta entrar na nave construída por um dos meninos, mirar bem na estrela escolhida e voar direto para lá! E se o foguete não conseguir chegar? Não tem problema, o piloto pousa sem sustos noutra estrela, o grupo tenta encontrar uma maneira de alcançar a estrela desejada. Sem êxito, todos voltam para casa e ... novas idéias surgem no dia seguinte, na aula de circo: levar a cama elástica para a estrela sem pontas e pular até a estrela dos anjos! Mas ainda não dá: o recurso, então, é voar como flecha, amarrada com uma corda no pé! Simples, criativo, absurdamente natural.
E assim são as outras nove histórias, todas escritas com um ritmo ágil e envolvente, sem pausas para muitas descrições e com suspenses rapidamente resolvidos pela criatividade, a astúcia ou a aliança entre crianças e adultos. Aliás, a cumplicidade entre pais e filhos nos jogos e brincadeiras é também um dos pontos altos das histórias. Ora é o pai que valida a explicação da filha, da qual todos duvidam, ora pais e filhos saem em excursão procurando o céu com estrelas: em nenhum momento há castigos ou reprimendas, a fantasia é compartilhada por todos. Como não se encantar como o Alvinho apaixonado por Intrometida, aquela estrela entre as outras quatro do Cruzeiro do Sul que desapareceu, e aplaudir quando Luestrela consegue tirá-la do Buraco Negro, ambas surfando no tubo de uma onda gigante? Linda também é a relação entre o menino e o cão que, numa estrela sem muitos atrativos, serve-se das histórias que lia no livro, seu único companheiro, inventando belezas para que o menino não vá embora. E tem também os simpáticos korékos que...
Opa,mas eu já disse que as dez histórias são ótimas! Falta só falar nas ilustrações e se perguntar se com tanta fantasia nos textos, há necessidade de ilustrar as histórias. A economia parece ter sido a decisão inteligente de Adriana Alves, criando desenhos que se destacam pelas cores e pelo traço leve e bem-humorado, numa estética que conserva a beleza das formas e a graça da fértil imaginação infantil. Uma boa parceria, a desses dois criadores.
O céu das crianças. Dez histórias de meninos e estrelas. Paulo Freire, Violeiro. Il. de Adriana Alves. Companhia das Letrinhas.
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