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Rua Senador Ivo d'Aquino, 103
Lagoa da Conceição
frente ao trapiche
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Horário de funcionamento
De 3ª a sábado das 14h às 20h

Um Livro de Horas. Emily Dickinson. Seleção, tradução e ilustração de Angela-Lago. (Editora Scipione). 

Leia aqui dois comentários:

A primeira vez que vi e peguei Um livro de horas estremeci de emoção. A cor vermelha e a textura do tecido da capa atingiram ao mesmo tempo meus olhos e meus dedos e eu alisei muitas vezes frente e verso para prolongar o prazer tátil. Ao abrir as primeiras páginas, um verdadeiro momento de euforia se criou: as iluminuras encheram os olhos. A leitura dos versos de Emily na cadência brasileira das palavras selecionadas por Angela para manter e recriar o ritmo do primeiro poema aberto ao acaso completou o êxtase e desde então não me separei mais do meu exemplar. Da tradição medieval a ilustradora refinada resgata a exuberância, a riqueza dos detalhes, a paciência do rendilhado e as delicadezas dos tons e semitons das cores suaves. Tanta beleza, graça e dedicação reunidas são motivos para abrir meu livro todas as manhãs, depois de recitar ainda no escuro e de memória: “Sem saber quando virá o amanhecer/ eu abro todas as portas/ terá asas como um pássaro/ ondulará como as encostas?”

Como não sou egoísta, esse foi também o presente que mais ofereci, dividindo com outros o prazer de adentrar no jardim e no templo tecidos e abertos por Angela, a quem todos agradecemos a acolhida.

Tânia Piacentini

 

Um livro de horas para qualquer hora
Ou
Um livro de horas para todas as horas

Desde pequena, Angela-Lago declama poemas nas horas de aflição. Poemas, para ela, são uma espécie de oração, de zelo e consolo para a alma. Como preces, os poemas nutrem mentes, esculhambam pensamentos e coroam sentimentos de saudades, de calor, de frio, de dor, de alegria. Sensações tépidas, tórridas ou gélidas, não importa, são palavras, sons e imagens em harmonia.

Dos 1775 poemas de Emily Dickinson – encontrados em cartas e cadernos, portanto, sem títulos – Angela-Lago escolhe 24 para traduzir e nomeia-os a seu bel-prazer, intitulando a seleção Um livro de horas (Scipione, 2007). Ademais de selecionar e traduzir os poemas da autora norte-americana, Lago também foi responsável pelas belíssimas iluminações (mescla das palavras iluminura + ilustração), o que tornam o folhear das páginas um labirinto formado por ramos de flores, de inúmeras cores e espécies, cercando palavras em jardins...

A edição é bilíngüe, possibilitando, assim, aos leitores astuciosos a degustação dos poemas de Dickinson no original e, aos entusiasmados, a oportunidade da tradução de Angela-Lago na cadência da língua portuguesa, surpreendentemente ao lado.

Para A hora de esquecer, “Quando acabar, avise, por favor,/ Para que eu apague o pensamento!/Rápido! Enquanto você pulsar,/Vou lembrar mais um momento.” (2007, p. 17). Para a A hora em que tudo parece sem sentido, “Se ajudar um passarinho/ Que caiu de volta ao ninho,/ Não foi em vão minha vida.” (2007, p. 43). Para a hora pequenina, sem luz e do enigma, poemas. Para a hora da falta, sem remédio e para aquela que me chamarem de louca, poemas. Para as horas felizes ou tristes, poemas.

Com ou sem dilemas, poemas.

Gizelle Kaminski Corso

 

SUGESTÕES DE LEITURA DA BARCA DOS LIVROS
Bilo - Caco Galhardo
  Cavaleiro do dragão, O - Cornélia Funke
  Diferente como Chanel - Elizabeth Mathews
  Era no tempo do rei - Ruy Castro
  Invenção do mundo pelo Deus-curumim, A - Braulio Tavares
  Kafka e a boneca viajante - Jordi Sirra i Fabra
  Leonardo e a invenção mortal - J. Harris
  Menino alquimista, O - Juarez Nogueira
  Pippi Meialonga - Astrid Lindgren
  Sete histórias para contar - Adriana Falcão
  Sr. Pip - Lloyd Jones